Estudos de combate à pobreza são laureados com Nobel de Economia

A economista Esther Duflo e os economistas Abhijit Banerjee e Michael Kremer ganharam o prêmio Nobel de Economia em 2019. O trio tem numerosos estudos baseados em evidências sobre as formas mais eficientes de combater a pobreza. Banerjee e Duflo tem artigos e livro publicado sobre a Renda Básica.

O Nobel de Economia de 2019 merece destaque pelas pessoas laureadas e pelo tema. A economista Esther Duflo é a segunda mulher a ser premiada na área, Abhijit Banerjee é o terceiro não-branco com Nobel. O tema do combate à pobreza é premiado pela segunda vez com o prêmio Nobel, a primeira foi em 2015.

Banerjee apontou em entrevista que a Renda Básica tem dois principais motivos para estar em pauta: a escassez de empregos e as dificuldades enfrentadas pelas políticas tradicionais do Estado de Bem-Estar. Sobre os empregos, aponta que há grande incerteza sobre o futuro da economia nesse cenário de desemprego, afetando bem-estar individual e o consumo. Sobre as políticas tradicionais aponta que muitas vezes são fragmentadas, burocráticas e complicadas em demasia.

Banerjee também publicou o artigo “Renda Básica de Cidadania no mundo em desenvolvimento” na revista “Annual Review of Economics”. O trabalho discute o que os economistas sabem (e o que não sabem) sobre três perguntas: o que os destinatários provavelmente fariam com a renda incremental, se isso traria mais crescimento econômico e as possíveis consequências de dar dinheiro a todos (em vez de direcioná-lo aos elegíveis à condicionalidades). O artigo conclui que há evidências positivas robustas aos beneficiados pelos experimentos com Renda Básica.

O novo livro de Banerjee e Duflo “Good Economics for Hard Times” (Boa Economia para tempos difíceis), que será lançado em novembro de 2019, também dá papel de destaque para a Renda Básica. A política de transferência de renda universal aparece como solução para reduzir a pobreza, simplificar a burocracia de atuação do governo na política social e aumentar a abrangência dos beneficiados. A ideia ganha destaque também por ajudar a reduzir a incerteza de um mundo em transição marcado pela desigualdade, automação e globalização.

Os laureados pelo prêmio Nobel deste ano introduziram uma nova abordagem para obter respostas confiáveis sobre as melhores maneiras de combater a pobreza global. Em resumo, envolve dividir esse problema em perguntas menores e mais fáceis de responder – por exemplo, quais seriam as políticas mais eficazes para melhorar os resultados educacionais ou a saúde infantil. Eles mostraram que essas perguntas menores e mais precisas geralmente são melhor respondidas por experimentos cuidadosamente projetados entre as pessoas mais vulneráveis.

 

Por Fernando Freitas, economista, mestre em Políticas Públicas e Desenvolvimento pela UFRJ. Me acompanhe no twitter: @fernando_jgf

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