Em carta ao Congresso, 16 governadores pedem auxílio emergencial de R$ 600 para população mais vulnerável

Louise Queiroga
24/03/2021

Foto em destaque: Sepultamentos no Cemitério do Caju, no Rio Foto: Brenno Carvalho / Agência O Globo

O calendário nacional de vacinação e a obtenção de novas doses de imunizantes contra a Covid-19 estão mais lentos do que as respostas que precisamos para reverter esse quadro’ afirma trecho do documento

Dezesseis governadores assinam uma carta enviada ao Congresso Nacional, nesta quarta-feira, dia 24, pedindo que o valor do auxílio emergêncial seja mantido em R$ 600, em vez de diminuir para R$ 150, R$ 250 e R$ 375, conforme proposta do governo federal.

“Exatamente há um ano, no início da pandemia, os Governadores manifestaram-se favoráveis à implantação de uma renda básica no País. Hoje, mais do que nunca, é comprovada a sua necessidade, urgência e o impacto que se pode alcançar. Por isso, neste momento, defendemos auxílio emergencial de R$ 600,00, com os mesmos critérios de acesso de 2020”, afirmam.

“Agir contra esse cenário requer medidas sanitárias e garantia de uma renda emergencial. Somente com essas medidas seremos capazes de evitar o avanço da morte. Por isso, entendemos que a redução dos valores do auxílio emergencial é inadequada para a eficácia da proteção da população. Enquanto a vacinação não acontecer em massa, precisamos garantir renda para a população mais vulnerável”.

No documento, os políticos apoiam a iniciativa da Campanha Renda Básica que Queremos, de forma atrelada ao distanciamento social. O texto considera as medidas de combate à pandemia como “essenciais para serem adotadas neste momento de intenso aumento de casos e mortes decorrentes da Covid-19”, destacando a aproximação do número de 300 mil vidas perdidas, que ainda não havia sido registrado quando a carta foi redigida.

“Diariamente, vemos recorde de mortes, lotação de leitos hospitalares, ameaça de falta de medicamentos e esgotamento das equipes de saúde. O calendário nacional de vacinação e a obtenção de novas doses de imunizantes contra a Covid-19 estão mais lentos do que as respostas que precisamos para reverter esse quadro”, dizem os 16 governadores.

“Não obstante o exposto acima, os signatários desta carta entendem a importância de o País não se desviar de seu compromisso com a responsabilidade fiscal. É importante entender o esforço de mitigação da crise atual para os mais vulneráveis como extraordinário e temporário. Logo à frente precisaremos voltar a uma trajetória de ajustamento fiscal que compatibilize os necessários programas sociais com um financiamento responsável dos mesmos”, concluem.

Assinaram a carta os governadores de Alagoas (Renan Filho), Amapá (Waldez Góes), Bahia (Rui Costa), Ceará (Camilo Santana), Espírito Santo (Renato Casagrande), Maranhão (Flávio Dino), Mato Grosso do Sul (Reinaldo Azambuja), Pará (Helder Barbalho), Paraíba (João Azevêdo), Paraná (Ratinho Junior), Pernambuco (Paulo Câmara), Piauí (Wellington Dias), Rio Grande do Norte (Fátima Bezerra), Rio Grande do Sul (Eduardo Leite), São Paulo (João Doria) e Sergipe (Belivaldo Chagas).

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